sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

Então é Natal...



Hoje eu estava na Paulista, sentada numa praça, refletindo sobre a vida. Várias questões pendentes, várias coisas que não me agradam e tiram o sentido de estar aqui ou ali. Ao fundo, uma orquestra tocava músicas natalinas. Em frente, prédios enfeitados e pessoas felizes passando, com sacolas e mais sacolas. E eu ali, pensando. Pensando no sentido daquilo tudo, no sentido do Natal.

Sei que joguei muita coisa fora como se fosse nada, como se não tivesse mais utilidade. E, não sei porque, não consigo sentir culpa ou remorso por ter desperdiçado tanta coisa em tão pouco tempo. Em troca, coisas, pessoas e sentimentos vazios. Sorrisos com datas de validade vencidas. Muita disposição para oferecer e nenhuma para ganhar. Nada sequer, nenhum merecimento. E assim, ainda me vejo na razão... Razão de estar presa em mim, sem a necessidade de me abrir ou de admitir que mereço sim, muito mais.

Sentei na mesma cadeira na qual me sento todos os dias. Nada novo aconteceria, pois nada de novo eu merecia. Entrou um aluno psicótico, esquizofrênico, debilitado e sem esperanças, assim como eu. Já me preparava para dizer que ele não poderia estar ali, pois sua aula começaria só após 15 minutos e eu gostaria de ficar só, só comigo mesma. Foi então que ele estendeu a mão e me deu uma sacola: “É uma lembrança de Natal, foi minha mãe quem escolheu”. Isso foi, para mim, como um soco no meio do estômago. Senti vontade de chorar, colocando pra fora tudo o que seguro aqui dentro, mas não o fiz. Empedrei-me como sempre, porém consegui esboçar um simpático sorriso que, na verdade, gostaria de dizer: “Ganhei meu dia! Obrigada por lembrar de mim...”.

Como hoje é dia de pensar, continuo pensando. Estaria eu errada em reclamar do Natal? Estaria sendo egoísta ao não enxergar que existem pessoas capazes de lembrar das outras, mesmo com suas limitações e dificuldades? Seria eu uma exagerada que cobra muito da vida, muito de si e pouco das pessoas?

Sempre considerei o Natal como uma época muito feliz. Este ano, não consigo encará-lo assim, mas acho que esta lembrança me fez perceber que, por mais que não tenhamos ninguém, há sempre uma esperança. Há sempre alguém que vai lembrar de nós pois, por menos que façamos, sempre faremos algo que será relevante a alguém.

FELIZ NATAL.

2 comentários:

  1. eerr...uma duvida, vc tb é psicotica e esquizofrenica, assim como ele?

    ...e q bom q vc está passando por um periodo de crescimento e mudança
    ...me lembrei agora do caranguejo aqui de maceió, ele cresce, cresce e sua carapaça continua do mesmo tamanho, imagino q deve doer crescer dentro de uma mesma armadura de anos atrás...e ai um belo dia ele faz a troca de carapaça...e continua crescendo!
    ...hmmm acredito q os caranguejos de outros lugares sejam assim tb! acho q n é algo exclusivo de maceió n é mesmo?!

    um otimo natal p vc!
    bjo!

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  2. Não Thiago, só me assemelho na questão da falta de esperança...

    Gostei da comparação dos caranguejos... Fez bastante sentido pra mim.

    Feliz Natal pra vc tbm!
    Bjos.

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