quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

Vento de Mudanças...



Outro dia, li num portal qualquer: "Aprenda como evitar a depressão de final de ano". Confesso que, andando pelas ruas desertas de São Paulo e vendo os bares lotados, não creio que a maioria das pessoas entrem em depressão nessa época. Enfim, sempre há exceções! Eu, particularmente, acho interessante a sensação de ter fechado um ciclo.

Costumo usar meus últimos dias do ano para pensar sobre tudo o que ocorreu, o que não ocorreu e o que ainda deve ocorrer. Dividi meu ano de 2010 em duas partes: o primeiro semestre (bom) e o segundo semestre (mau). No semestre bom eu me dediquei a psicologia como jamais havia feito, fazendo cursos absurdos, conseguindo trabalhar numa área super restrita e aprendendo muito, muito mesmo. Minha vida era estável e sem graça, mas politicamente correta do ponto de vista social. Em setembro, joguei tudo para o alto e resolvi ser feliz, por isso chamo o segundo semestre de "mau".

Não sou duas caras e nem tenho dupla personalidade. Minha essência é e sempre será a mesma, porém me permiti mudar. Acho que muitas pessoas têm essa vontade, mas poucas tem coragem. Mudar significa correr riscos, sofrer com a falta, ter momentos de solidão e dar tiros no escuro. Além disso, nunca teremos a certeza de a mudança valeu a pena, pois para mudar temos que abrir mão de certas coisas que perdem o direito de se explicar ou tentar mudar também. A vida é isso, e os indecisos param no tempo.

Nos piores momentos do meu ano, conheci amigos maravilhosos que me deram toda a base para continuar. Sempre orgulhosa, nunca gostei de depender dos outros ou admitir que precisava de uma força, mas dessa vez resolvi aceitar e vi o quanto é bom ter com quem contar. À partir daí, aprendi a dar mais valor as pessoas e me dediquei a fazer tudo o que está ao meu alcance para retribuir tudo o que fizeram por mim. Descobri, com isso, o quanto é bom ajudar a quem precisa.

Não sou totalmente correta, mas também não sou toda errada. Falo palavrão, vou para o bar no mínimo 2x por semana e pego DP na faculdade. Meus pais já me entregaram pra Deus, mas eu tenho provar que isso não me faz ser uma má pessoa. Tenho meus princípios, gosto de me dar bem com todo mundo e viver a minha vida tranquilamente. Não falo mal da vida de ninguém e não julgo, assim como não gosto que façam isso comigo.

Acredito que outras mudanças ocorrerão no início de 2011, para melhor ou pior. Não sei o que esperar do próximo ano e, na verdade, não gosto de esperar - eu corro atrás. Só que nem tudo depende exclusivamente de mim. O que me preocupa é que guardo coisas por muito tempo até que elas explodam... E aí não há nada mais o que se possa fazer. Minhas mudanças são repentinas e sem aviso, fazendo com que eu tenha medo de mim mesma. Então, só peço uma coisa: não estrague tudo!

Que 2011 seja repleto de felicidades e conquistas para todos que eu amo, e que tenham força e vontade para correr atrás de suas metas. E lembrem-se, sempre: Mudar dói, mas é necessário.

sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

Então é Natal...



Hoje eu estava na Paulista, sentada numa praça, refletindo sobre a vida. Várias questões pendentes, várias coisas que não me agradam e tiram o sentido de estar aqui ou ali. Ao fundo, uma orquestra tocava músicas natalinas. Em frente, prédios enfeitados e pessoas felizes passando, com sacolas e mais sacolas. E eu ali, pensando. Pensando no sentido daquilo tudo, no sentido do Natal.

Sei que joguei muita coisa fora como se fosse nada, como se não tivesse mais utilidade. E, não sei porque, não consigo sentir culpa ou remorso por ter desperdiçado tanta coisa em tão pouco tempo. Em troca, coisas, pessoas e sentimentos vazios. Sorrisos com datas de validade vencidas. Muita disposição para oferecer e nenhuma para ganhar. Nada sequer, nenhum merecimento. E assim, ainda me vejo na razão... Razão de estar presa em mim, sem a necessidade de me abrir ou de admitir que mereço sim, muito mais.

Sentei na mesma cadeira na qual me sento todos os dias. Nada novo aconteceria, pois nada de novo eu merecia. Entrou um aluno psicótico, esquizofrênico, debilitado e sem esperanças, assim como eu. Já me preparava para dizer que ele não poderia estar ali, pois sua aula começaria só após 15 minutos e eu gostaria de ficar só, só comigo mesma. Foi então que ele estendeu a mão e me deu uma sacola: “É uma lembrança de Natal, foi minha mãe quem escolheu”. Isso foi, para mim, como um soco no meio do estômago. Senti vontade de chorar, colocando pra fora tudo o que seguro aqui dentro, mas não o fiz. Empedrei-me como sempre, porém consegui esboçar um simpático sorriso que, na verdade, gostaria de dizer: “Ganhei meu dia! Obrigada por lembrar de mim...”.

Como hoje é dia de pensar, continuo pensando. Estaria eu errada em reclamar do Natal? Estaria sendo egoísta ao não enxergar que existem pessoas capazes de lembrar das outras, mesmo com suas limitações e dificuldades? Seria eu uma exagerada que cobra muito da vida, muito de si e pouco das pessoas?

Sempre considerei o Natal como uma época muito feliz. Este ano, não consigo encará-lo assim, mas acho que esta lembrança me fez perceber que, por mais que não tenhamos ninguém, há sempre uma esperança. Há sempre alguém que vai lembrar de nós pois, por menos que façamos, sempre faremos algo que será relevante a alguém.

FELIZ NATAL.