terça-feira, 25 de setembro de 2012

quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

Vento de Mudanças...



Outro dia, li num portal qualquer: "Aprenda como evitar a depressão de final de ano". Confesso que, andando pelas ruas desertas de São Paulo e vendo os bares lotados, não creio que a maioria das pessoas entrem em depressão nessa época. Enfim, sempre há exceções! Eu, particularmente, acho interessante a sensação de ter fechado um ciclo.

Costumo usar meus últimos dias do ano para pensar sobre tudo o que ocorreu, o que não ocorreu e o que ainda deve ocorrer. Dividi meu ano de 2010 em duas partes: o primeiro semestre (bom) e o segundo semestre (mau). No semestre bom eu me dediquei a psicologia como jamais havia feito, fazendo cursos absurdos, conseguindo trabalhar numa área super restrita e aprendendo muito, muito mesmo. Minha vida era estável e sem graça, mas politicamente correta do ponto de vista social. Em setembro, joguei tudo para o alto e resolvi ser feliz, por isso chamo o segundo semestre de "mau".

Não sou duas caras e nem tenho dupla personalidade. Minha essência é e sempre será a mesma, porém me permiti mudar. Acho que muitas pessoas têm essa vontade, mas poucas tem coragem. Mudar significa correr riscos, sofrer com a falta, ter momentos de solidão e dar tiros no escuro. Além disso, nunca teremos a certeza de a mudança valeu a pena, pois para mudar temos que abrir mão de certas coisas que perdem o direito de se explicar ou tentar mudar também. A vida é isso, e os indecisos param no tempo.

Nos piores momentos do meu ano, conheci amigos maravilhosos que me deram toda a base para continuar. Sempre orgulhosa, nunca gostei de depender dos outros ou admitir que precisava de uma força, mas dessa vez resolvi aceitar e vi o quanto é bom ter com quem contar. À partir daí, aprendi a dar mais valor as pessoas e me dediquei a fazer tudo o que está ao meu alcance para retribuir tudo o que fizeram por mim. Descobri, com isso, o quanto é bom ajudar a quem precisa.

Não sou totalmente correta, mas também não sou toda errada. Falo palavrão, vou para o bar no mínimo 2x por semana e pego DP na faculdade. Meus pais já me entregaram pra Deus, mas eu tenho provar que isso não me faz ser uma má pessoa. Tenho meus princípios, gosto de me dar bem com todo mundo e viver a minha vida tranquilamente. Não falo mal da vida de ninguém e não julgo, assim como não gosto que façam isso comigo.

Acredito que outras mudanças ocorrerão no início de 2011, para melhor ou pior. Não sei o que esperar do próximo ano e, na verdade, não gosto de esperar - eu corro atrás. Só que nem tudo depende exclusivamente de mim. O que me preocupa é que guardo coisas por muito tempo até que elas explodam... E aí não há nada mais o que se possa fazer. Minhas mudanças são repentinas e sem aviso, fazendo com que eu tenha medo de mim mesma. Então, só peço uma coisa: não estrague tudo!

Que 2011 seja repleto de felicidades e conquistas para todos que eu amo, e que tenham força e vontade para correr atrás de suas metas. E lembrem-se, sempre: Mudar dói, mas é necessário.

sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

Então é Natal...



Hoje eu estava na Paulista, sentada numa praça, refletindo sobre a vida. Várias questões pendentes, várias coisas que não me agradam e tiram o sentido de estar aqui ou ali. Ao fundo, uma orquestra tocava músicas natalinas. Em frente, prédios enfeitados e pessoas felizes passando, com sacolas e mais sacolas. E eu ali, pensando. Pensando no sentido daquilo tudo, no sentido do Natal.

Sei que joguei muita coisa fora como se fosse nada, como se não tivesse mais utilidade. E, não sei porque, não consigo sentir culpa ou remorso por ter desperdiçado tanta coisa em tão pouco tempo. Em troca, coisas, pessoas e sentimentos vazios. Sorrisos com datas de validade vencidas. Muita disposição para oferecer e nenhuma para ganhar. Nada sequer, nenhum merecimento. E assim, ainda me vejo na razão... Razão de estar presa em mim, sem a necessidade de me abrir ou de admitir que mereço sim, muito mais.

Sentei na mesma cadeira na qual me sento todos os dias. Nada novo aconteceria, pois nada de novo eu merecia. Entrou um aluno psicótico, esquizofrênico, debilitado e sem esperanças, assim como eu. Já me preparava para dizer que ele não poderia estar ali, pois sua aula começaria só após 15 minutos e eu gostaria de ficar só, só comigo mesma. Foi então que ele estendeu a mão e me deu uma sacola: “É uma lembrança de Natal, foi minha mãe quem escolheu”. Isso foi, para mim, como um soco no meio do estômago. Senti vontade de chorar, colocando pra fora tudo o que seguro aqui dentro, mas não o fiz. Empedrei-me como sempre, porém consegui esboçar um simpático sorriso que, na verdade, gostaria de dizer: “Ganhei meu dia! Obrigada por lembrar de mim...”.

Como hoje é dia de pensar, continuo pensando. Estaria eu errada em reclamar do Natal? Estaria sendo egoísta ao não enxergar que existem pessoas capazes de lembrar das outras, mesmo com suas limitações e dificuldades? Seria eu uma exagerada que cobra muito da vida, muito de si e pouco das pessoas?

Sempre considerei o Natal como uma época muito feliz. Este ano, não consigo encará-lo assim, mas acho que esta lembrança me fez perceber que, por mais que não tenhamos ninguém, há sempre uma esperança. Há sempre alguém que vai lembrar de nós pois, por menos que façamos, sempre faremos algo que será relevante a alguém.

FELIZ NATAL.

quarta-feira, 14 de julho de 2010

Mulheres: O que está havendo?


Estou curtindo meu período de férias em casa, aproveitando para descansar e esquecer o mundo lá fora. Não gosto muito de ficar parada, por isso fico algum tempo no computador, toco um pouco de guitarra, como algumas porcarias (muuuitas por sinal!) e acabo sempre na frente da TV. Não sou muito fã da Globo, por isso assisto mais a Record e a Band. O que em chamou a atenção essa semana foram três casos de muita repercussão e que têm algo em comum: o Caso Mércia, o Caso Bruno e o caso da adolescente que levou 06 tiros do ex-namorado. A maioria deve saber do que eu estou falando - até porque só se fala disso por ai - e também a qual ponto em comum eu me refiro: a violência contra as mulheres cometida por ex-namorados.

Acredito que a covardia de quem comete esse tipo de crime pode ser comparada àqueles que cometem crimes envolvendo crianças. Tem gente que acha errado dizer que as mulheres são "frágeis", mas fisicamente isso é inquestionável. Ainda não contentes com essa vantagem natural, esses crápulas ainda precisaram da ajuda de amigos e parentes para sentirem-se seguros o suficientes para matar suas vítimas.

Algumas pessoas pensam que não podem chamar assassinos de crápulas porque estudam psicologia. Veja bem, eu gosto da área criminal e me interesso em estudar o comportamento humano, mas nunca vou defender assassino e nem acreditar que alguns casos têm cura. Não tenho preconceito, tanto é que adoro visitar o Manicômio Judiciário - mas isso não significa que eu tenha que apoiá-los ou aceitar que mataram por serem portadores de transtornos mentais. Alguns são, claro, mas não é o caso do Bruno ou do Mizael. Esses são verdadeiros crápulas, sim. Mataram por vaidade, por dinheiro e pelo próprio ego.

O caso da adolescente de 16 anos (que não teve o nome divulgado) me chamou muito a atenção. Ela namorou durante uma semana com um rapaz de 20 anos e resolveu terminar. Um dia ele a pegou na saída de um curso e, com a ajuda do primo, deu 06 tiros na cabeça da menina. Por incrível que pareça ela sobreviveu, porém morreu um pouco por dentro. Seu sonho era ser modelo, e ela era realmente muito bonita. Hoje, está numa cama de hospital se recuperando de uma cirurgia cerebral, perdeu a visão do olho esquerdo, está sem cabelo e com várias cicatrizes no rosto. A vida dela não vai ser mais a mesma, por isso eu acredito que 90% do plano do rapaz se concretizou.

Eliza e Mércia não tiveram a mesma "sorte". Aliás, escuto muita gente falar que a culpa foi da Eliza e acho isso um absurdo. Ela podia ser o que fosse, mas NADA, absolutamente NADA justifica o fato de ter sido morta e servir de comida para cachorros. A culpa só seria dela se fosse um caso de suicídio, pois ninguém tem o direito de julgar quem deve viver e quem deve ser condenado a morte pelos seus atos.

Uma questão relacionada ao assunto é a luta pela igualdade entre os sexos. As mulheres são modernas: trabalham, têm empregada pra fazer o trabalho doméstico, ganham seu próprio dinheiro e precisam cada vez menos dos homens. Não acho isso errado, desde que elas não queiram ocupar totalmente a mesma posição que eles . Por outro lado, os homens se incomodam porque além dessa questão profissional - que eu até considero positiva - elas querem beber como eles, transar com a mesma frequencia que eles, falar palavrões como eles e serem tratadas da mesma forma. Isso causa uma distorção da figura feminina e uma rebelião masculina, pois além de as mulheres tomarem seu lugar ainda afirmam não precisarem mais deles pra nada. Isso traz a sensação de inutilidade que pode causar a reação violenta que vimos nesses casos, principalmente no da Mércia. Ela era bonita, independente, inteligente e bem-sucedida, e ele não conseguiu aceitar a sua inutilidade. O crime em si pode ser considerado quase que um pedido desesperado de atenção, expressando a fúria masculina mais primitiva de provar "quem manda aqui".

Deixando de lado esses casos famosos, escuto muitas histórias de pessoas próximas envolvendo agressões físicas e verbais, além de ataques de ciúme sem fundamento. O que estaria causando isso? Não sei ao certo. Mas uma coisa eu posso afirmar: há uma falta de respeito e confiança muito grande entre as pessoas, seja onde for.

domingo, 4 de julho de 2010

A Lei da Atração


Depois de 14 horas de curso no Hospital das Clínicas, estou de volta - viva e com mais conteúdo! Isso prova que o estudo não mata ninguém, apesar de massacrar de vez em quando. Pois bem, tenho mil coisas para contar mas não quero falar sobre o curso hoje, e sim sobre algo que me assombra a muito tempo: a Lei da Atração. Não que ela me persiga constante (eu até que gostaria!), mas eu tenho essa dúvida cruel referente a como as coisas chegam até nós. É essa questão de sorte, destino, acaso, coincidência... Já aconteceu comigo e aposto que com vocês também, mas qual seria a melhor explicação?

Logo após o seu lançamento, fiquei muito curiosa e adquiri o livro "O Segredo". Nem me lembro quanto tempo faz, mas sei que já faz alguns anos. Tenho o dom de comprar livros que deveriam ser esclarecedores e transformá-los em dúvidas que se arrastam por muito tempo. Enfim, não me lembro de tudo o que li, mas a principal mensagem é que devemos mentalizar constantemente e de forma intensa nossos desejos, e assim o Universo se encaminha de trazê-los até nós. O livro traz alguns exemplos de pessoas que seguiram isso e se deram bem na vida e afirma que podemos atrair tudo o que desejamos.

Primeiramente gostaria de dizer que não sou contra livros de autoajuda. Vejo que muitos pacientes psiquiátricos se apoiam em algumas filosofias para conseguirem reagir a fases difíceis de suas vidas e do tratamento, e isso traz resultados. Porém, isso não significa que eu seja adepta a eles ou concorde que eles tragam benefícios para todos os seus leitores. Observo uma certa apelação - ou prepotência, talvez - de alguns autores que afirmam ter encontrado a "fórmula da vida feliz". Sabemos que felicidade constante não existe, e a promessa de oferecê-la é uma ótima mentira para tornar seu livro um best-seller. Certos leitores acabam se convencendo tanto que carregam aquele conteúdo como filosofia de vida, sendo vítimas de uma espécie de "lavagem cerebral". É a partir daí que eu considero estes livros como prejudiciais, pois a maioria não tem fundamentação científica e prometem coisas que nem todos têm condições físicas, psíquicas, culturais e socioeconômicas para alcançar. Também posso citar a questão da Fenomenologia, que defende a maneira individual que cada pessoa tem de ver o mundo, provando que essa "terapia" em massa não pode ser considerada eficaz.

Voltando ao "O Segredo", não acredito que se eu desejar muito um certo carro ele virá até mim - até porque eu faço isso a anos e até hoje ele não veio. Acredito que a peça chave disso tudo esteja ligada ao afeto e a nossa vontade de conquistar as coisas. Vejamos: eu desejo muito esse carro... Por isso, resolvo me empenho nos estudos, me formo, conquisto um emprego maravilhoso e consigo comprá-lo. O que o trouxe até mim? Foi o Universo ou o objetivo de ter o carro, que fez com que eu planejasse a minha vida e traçasse um caminho que chegasse até ele? Ou melhor, será que se eu tivesse me acomodado e ficasse em casa o tempo todo mentalizando-o, eu realmente conseguiria comprá-lo?

O livro diria que o meu objeto de desejo poderia vir até mim de qualquer forma. Mas e se eu não tivesse dinheiro, se não me inscrevesse em nenhuma promoção, não jogasse na loteria, não comprasse produtos da Jequiti, não mandasse SMS para os programas da TV e não jogasse no bicho... Será que simplesmente uma pessoa tocaria a minha campainha dizendo que tem um presente para mim? Nisso eu não acredito, mesmo! E espero de verdade que as pessoas não acreditem que podem conquistar qualquer coisa sentadas no sofá da sala.

Já passei por coincidências na minha vida e confesso que algumas não sei explicar. Mas em todas eu estava lá ou fiz algo que pudesse justificar o acontecido - nunca foi algo sobrenatural. Por isso, digo que foram coincidências e não milagres da vida moderna. Acho que devemos acreditar em nossos sonhos, por mais impossíveis que eles pareçam ser - o sonho não impõe limites. Nem tudo na vida se realiza, mas tudo o que se concretiza se dá através da ação humana; por isso, quem vive com vontade e tem amor pelo que faz e pelo que é tende a conquistar mais facilmente seus objetivos.

terça-feira, 29 de junho de 2010

Trabalhando com Saúde Mental - Parte I

Como prometido, hoje senti que devo falar um pouco sobre o futuro que escolhi para mim. Já contei sobre como desisti do jornalismo e entrei na psicologia, mas o acho que é essencial falarmos um pouco sobre a área, como ela é vista pelas pessoas e as dificuldades que o profissional pode encontrar. Ainda não tenho possibilidades de expor grandes opiniões, até porque sou uma mera estudante - mas como tal, acredito que já posso dividir algumas descobertas interessantes com vocês.

Meu pai não queria que eu cursasse psicologia. Ele sempre achou um curso inútil, que me obrigaria a montar meu próprio consultório para lucrar com isso. Como sempre gostei de contrariar, comecei o curso e logo sai de um emprego em um banco que me dava certa estabilidade financeira para tentar ingressar na área. No final do primeiro ano, consegui um estágio lá no Centro de São Paulo para trabalhar com recrutamento e seleção. Não era nada comparado ao emprego que eu tinha anteriormente, mas pra mim aquela primeira oportunidade foi tudo. Eu anunciava vagas, fazia triagem de currículos, convocada candidatos (o que eu mais odiava nisso tudo!) e a melhor parte, que pra mim era aplicar testes psicológicos. Trabalhava com umas seis outras estagiárias e algumas psicólogas. Estava adorando, mas tinha uma parte que eu gostaria muito de fazer e ainda não podia, que era realizar as entrevistas. Além disso, a grana estava curta e eu não estava mais dando conta das minhas coisas. Foi aí que com muita dor no coração me despedi de lá.

Em seguida, comecei a trabalhar no RH de uma empresa de serviços ambientais. Lá eu resolvi a parte financeira, e consegui finalmente realizar as minhas tão sonhadas entrevistas. Conheci duas psicólogas que me ajudaram demais e me acrescentaram muito, porém o destino da empresa tomou outro rumo e eu fui obrigada a pedir para sair. Não quero entrar em detalhes sobre isso, mas o importante é dizer que o que aconteceu me fez desanimar de RH e me colocou para refletir.

Bom, iniciei o terceiro ano da faculdade desempregada e desamparada... rs! Não sabia que rumo tomar, mas tinha a certeza de que não queria voltar para a área organizacional. Foi aí que eu percebi o grande problema que os alunos do curso enfrentam: Só existiam vagas para trabalhar em RH! Me cadastrei em alguns sites de emprego, e 100% do que eu recebia era para essa área. Pessoas me ligaravam desesperadas oferecendo vagas que pareciam cair do céu, de todos os cantos. Admito que quase fui pela questão financeira, mas pensei muito bem e percebi que não deveria me render facilmente a grana e pensar mais na minha satisfação profissional - e no meu futuro.

Já que os sites não me ajudavam, comecei a mandar aleatoriamente pra hospitais, ONGs, escolas, etc - para tudo, menos empresas e consultorias de RH. A minha paixão mesmo é a parte mais crítica da psicologia: as psicoses. Por isso, eu queria algo que pudesse me aproximar desse mundo tão fascinante. Com a faculdade, tive oportunidade de fazer alguns trabalhos no Manicômio Judiciário de Franco da Rocha, o que fez com que eu me encantasse ainda mais pela área.

Enfim, mandei os currículos e até esqueci disso. Como eu já tinha trabalhado em RH, sabia que as chances de me chamarem por um currículo enviado pelo site eram mínimas. Já que eu não tinha escolha, resolvi me dedicar ao máximo à faculdade e fazer o maior número possível de cursos. Fui a várias palestras, realizei um curso sobre o modelo CAPS aos sábados e estudei como nunca havia feito antes. A matéria que mais me fascinou foi Psicopatologia (porque será?), sem contar que a minha professora é a melhor de todas. Já disse em um post que admiro pouquíssimas pessoas de forma verdadeira e intensa, mas a Profª. Lídia é uma delas. Psiquiatra, capricorniana e com um humor invejável, ela fez com que eu me apaixonasse ainda mais pela mente humana e, para mim, fez bem mais que isso: convidou os alunos para irem um dia ao pronto-socorro psiquiátrico onde ela faz plantão, e eu não apenas fui nesse dia como em todos os outros. Com a maior paciência do mundo ela aceitou ver a minha cara toda quinta-feira, onde eu acordava às 04:45 da manhã pra chegar em Santo Amaro às 07:00h. Fazia isso por amor a tudo o que eu estava aprendendo e por admiração ao profissionalismo da Lídia. Por não estar trabalhando eu tive tempo de fazer isso, e foi a experiência mais rica que já realizei.

Continuei frequentando o pronto-socorro semanalmente, até que um dia me ligam para fazer uma entrevista. Era de uma ONG localizada dentro de um CAPS, que era exatamente o tema do curso de extensão que eu cursava. Para quem não sabe, CAPS significa Centro de Atenção Psicossocial, e são comunidades terapêuticas pertecentes ao serviço público de saúde que buscam acolher portadores de transtornos mentais severos. Eles chegam pela manhã, se alimentam, realizam atividades terapêuticas, têm atendimento psicológico e psiquiátrico a disposição e vão embora no final da tarde.

De volta ao assunto da ONG, fui até lá no mesmo dia e me admitiram. Coincidência ou não, encontrei meu professor que me dava o curso lá no CAPS e ele ficou muito feliz pela minha conquista. Hoje, dou aulas de informática para os pacientes do CAPS e de outras instituições, todos com graves transtornos mentais, retardos ou autismo. Achei que nunca usaria meu curso técnico de informática para nada, mas vejo que encontrei uma utilidade para ele.

A ONG visa não só realizar atividades terapêuticas por meio de exercícios em Word, Excel e Power Point, mas principalmente fazer a inclusão digital desses pacientes através das redes sociais. Eu achei o projeto muito interessante, e por isso estou lá até hoje. Claro que encontro muitas dificuldades em lidar com esse tipo de paciente, mas garanto que minhas experiências anteriores me auxiliam e muito nessa função. Vou contar um pouco mais em alguns outros posts.

Só queria aproveitar para pedir ao pessoal de psicologia que tentem encontrar algo em sua área de interesse. Vejo muitos colegas que sonham com a área clínica ou social se acomodarem em estágios de RH por acharem que outro caminho é impossível. Não é! Quem vai atrás sempre consegue, e não adianta deixar para conquistar o que se quer no final do 5º ano.

Em breve, mais relatos sobre a questão da saúde mental...

domingo, 27 de junho de 2010

Eterna Paixão


Todo mundo tem uma paixão na vida - ou ao menos deveria ter. Eu descobri a minha aos 14 anos, quando resolvi entrar na aula de guitarra. Passei por um conservatório e duas escolas livres até encontrar um professor de música que realmente me conquistou, o Ronaldo. Não queria ter aulas teóricas e nem ouvir um professor babaca dizendo o quanto ele era bom (e colocando músicas de sua autoria pra eu ouvir); queria mesmo é que alguém me ensinasse a tocar, e logo. Só o Ronaldo me ofereceu isso.

Na segunda aula, para conter a minha ansiedade quase irritante, ele me passou duas músicas para treinar - "Flores" dos Titãs e "Proibida pra Mim" do Charlie Brown. Não era exatamente o que eu estava esperando, mas eram fáceis o suficiente para eu começar. Pratiquei desesperadamente durante toda a semana, e na aula seguinte já estava tocando razoavelmente bem. Foi a partir daí que minha paixão começou a aumentar.

Pratiquei 06 meses no violão, e só depois ele me "liberou" a guitarra. Comecei a tocar Metallica, Ozzy, Iron e tudo mais que eu ouvia na época. Adorava ir às aulas, porém eu ainda não tinha guitarra em casa e infelizmente meu pai não estava em condições de me comprar uma. Me virava com um violão emprestado, e contava as horas para ir à aula tocar a Fender Strato do meu professor.

Realizei meu grande sonho alguns meses depois, quando meu avô fez uma surpresa. Estava na casa dos meus avós num final de semana, e ele pediu para que eu pegasse um chinelo para ele em seu quarto. Quando acendi a luz, me deparei com uma Fender vermelha, com um amplificador, jogos de cordas, a capa... Enfim, tudo o que eu precisava pra treinar. Não consigo descrever o que senti naquele momento, só sei que ele me proporcionou momentos de muita alegria com a "violinha" (como ele chamava a guitarra) e que sinto muito a sua falta.

Com a guitarra, comecei a treinar ainda mais em casa, porém tive uma surpresa desagradável. Após quase 03 anos de aula, meu pai teve uma dificuldade financeira e não poderia mais pagar as mensalidades. Compreendi a situação, mas me lembro até hoje do meu último dia de aula. Expliquei para o Ronaldo que teria que parar por um tempo, segurei firmemente as lágrimas e desabei ao chegar no carro. Minha mãe não podia fazer nada, mas eu também não conseguia controlar tamanha frustação. Em casa, parei de treinar e ignorava o assunto, mas isso não durou muito - logo eu voltei a treinar como antes.

Aos 18 anos arrumei um bom emprego, e com isso voltei para as aulas. Fiz durante alguns meses, mas não consegui conciliar com trabalho e faculdade. Dessa vez a separação foi menos dolorosa, mas também mais drástica - nunca mais pratiquei.

Sabe, eu acredito que não podemos fugir de certas coisas - e a música é uma delas em minha vida. Eu poderia já ter desistido ou cansado, mas é uma coisa que amo e que não consigo simplesmente esquecer. Mais cedo ou mais tarde a vontade sempre volta, não tem como fugir. A minha voltou essa semana, quando resolvi tirar meu violão do armário e percebi que perdi a prática, mas não esqueci um acorde sequer.

Acredito que tudo o que fazemos com afeto e dedicação não morre. A vida pode colocar outras coisas em nosso caminho, mais vitais eu diria - mas por dentro, a vontade de fazermos aquilo que realmente amamos continuará.


"Os músicos não se aposentam - param quando não há mais música em seu interior..." - Louis Armstrong.